Missão Comercial projeta negócios de US$ 51 milhões em Angola
A Missão Comercial a Moçambique, Angola e África do Sul organizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) concluiu na sexta-feira (25) a etapa angolana da ação, com a realização de visitas técnicas de empresários brasileiros a potenciais compradores. No total, as 53 empresas brasileiras que estiveram em Angola participaram de 535 encontros com empresários locais. A estimativa é que sejam gerados negócios de US$ 51 milhões para os próximos 12 meses. Considerando os US$ 19 milhões projetados na visita a Moçambique, o volume total de negócios (US$ 70 milhões) já supera a estimativa inicial da Missão, que era de US$ 60 milhões.
A comitiva, que em Angola foi liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e pelo presidente da Apex-Brasil, Mauricio Borges, parte neste fim de semana (26 e 27) para Joanesburgo (África do Sul), a etapa final da Missão.
A ação reúne ao todo 53 empresas, sendo a maior parte delas atuante nos setores de casa e construção civil, máquinas e equipamentos e alimentos, bebidas e agronegócios.
Na África do Sul, estão previstas rodadas de negócios com compradores locais na segunda-feira (28). No dia 29, representantes de tradings e comerciais exportadoras brasileiras terão a oportunidade de se encontrar com compradores de cinco países do Sul da África (Botsuana, Namíbia, Quênia, Tanzânia e Zâmbia). A Missão se encerra no dia 30, com visitas técnicas individuais.
Além dos empresários que participam das rodadas de negócios, integram a comitiva outras 20 empresas convidadas, entre elas grandes construtoras, e instituições governamentais.
Missão em Angola - Na abertura das atividades em Angola, o ministro Fernando Pimentel, destacou a importância das relações comerciais entre o Brasil e o continente africano. “A realização dessa Missão é fruto da visita da Presidenta Dilma em outubro. Estamos expandindo as linhas de financiamento e tornando mais férteis as relações do Brasil com os países da África. O caminho da paz e da cooperação vai fortalecer ainda mais os laços profundos de amizade já existentes entre Brasil e Angola”, afirmou Pimentel.
A ministra do Comércio de Angola, Idalina Valente, ressaltou a relevância da Missão no sentido de diversificar a economia dos dois países. “A estabilidade política alcançada por Angola exige a criação de condições adequadas que assegurem a diversificação de nossa economia. Esperamos que a realização desta Missão incremente ainda mais as parcerias entre brasileiros e angolanos”, destacou a ministra angolana.
Já o presidente da Apex-Brasil, Mauricio Borges, disse que a realização do Brasil Casa Design serviu como plataforma para as trocas de experiências entre formadores de opinião angolanos e brasileiros do setor de construção. “Dentre as estratégias brasileiras para o continente africano, no âmbito da cooperação e da realização de negócios, o Brasil Casa Design foi fundamental para estabelecer parcerias na concepção de projetos de arquitetura no mercado angolano, possibilitando a inserção de produtos e serviços brasileiros em Angola”, disse Borges.
Brasil Casa Design - Em Angola, como ação paralela à Missão Comercial, foi realizada a terceira edição do Brasil Casa Design, evento cujos objetivos são estimular negócios entre empresários brasileiros e estrangeiros e trabalhar a percepção de formadores de opinião locais sobre a qualidade, a tecnologia e o design dos produtos brasileiros do setor de casa e construção civil. “A Apex-Brasil acredita que a realização de eventos cujo foco constante é a combinação de design inovador e produção sustentável, como é o caso do Brasil Casa Design, pode contribuir para reforçar a imagem do Brasil como país prolífico em criatividade e diversidade”, explica Mauricio Borges.
Nas duas primeiras edições do Brasil Casa Design, realizadas em Buenos Aires e na Cidade do Panamá, foram gerados negócios da ordem de US$ 18 milhões. O Brasil Casa Design de Luanda contou com exposição de produtos, mostra fotográfica e uma galeria de projetos brasileiros que ganharam troféus no IF Design e Idea, dois dos mais importantes prêmios do design mundial.
Também foram realizadas reuniões com arquitetos, empreiteiras e empresas do setor de casa e construção civil de Angola, organizadas pela Apex-Brasil e pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA). O presidente da entidade, Ronaldo Rezende, apresentou o seminário “Built By Brazil”. Também foram realizados dois painéis de debates, que abordaram projetos de arquitetura desenvolvidos por brasileiros em Angola e trocas de experiências entre arquitetos dos dois países sobre habitação social.
Empresários comentam oportunidades em Angola - O empresário Wanderley Catelan, representante de negócios internacionais da GEM Alimentos, destacou o trabalho de prospecção de oportunidades feito pela Apex-Brasil em Angola. “Atuo no mercado angolano desde 2006 e acho que a participação em uma Missão oficial dá credibilidade ao empresário local, que provavelmente não viria ao nosso encontro sem a chancela oficial. Nesta Missão fizemos contatos com mais de 20 clientes, o que superou bastante as expectativas”, afirma Catelan. A GEM Alimentos, com sede em Goiás, atua no ramo de alimentos em geral e, em Angola, vende seu principal produto é a farinha de milho.
Federico Falland, gerente da Agrobetel, também relata a importância de estar em uma comitiva oficial do governo brasileiro. “Os contatos que fizemos foram muito mais promissores do que seriam em uma situação normal. O empresário local acaba vindo ao encontro sem desconfiança e, por isso, as negociações acabam sendo mais rápidas”, explica. A Agrobetel vende alimentos e também gado vivo.
O Brasil Casa Design, onde estiveram mais de 20 empresas do segmento de casa e construção civil, foi fundamental para acelerar os contatos com compradores angolanos, segundo Fernando Frugis, gerente de exportação da TopTelha, empresa fabricante de telhas cerâmicas. “O fato de termos vários expositores em um mesmo ambiente atraiu mais empresários locais. E foi muito importante também o trabalho de busca de oportunidades de negócios feito pela Apex-Brasil em Angola, onde nem sempre é fácil conseguir informações precisas de mercado”, diz Frugis.
Comércio Brasil – Moçambique - As exportações brasileiras para Moçambique ficaram em US$ 61,030 milhões de janeiro a setembro de 2011. No mesmo período, as importações de Moçambique somaram US$ 3,559 milhões. Os principais produtos vendidos pelos brasileiros para o país africano foram trigo (US$ 12,145 milhões), derivados de óleo de soja (US$ 6,55 milhões), carnes de frango congeladas (US$ 5,87 milhões), resíduos sólidos de óleo de soja (US$ 4,975 milhões) e locomotivas a diesel e elétricas (US$ 4,068 milhões).
Os produtos mais comprados pelo Brasil de Moçambique, também de janeiro a setembro de 2011, foram alumínio em forma bruta, fumo, transistores montados, circuitos integrados monolíticos, assentos com armação de madeira, conectores, feixes ou cabos de fibra ótica e estatuetas e outros objetos de ornamentação de plásticos.
Comércio Brasil – Angola - Em relação a Angola, as exportações brasileiras de janeiro a setembro de 2011 ficaram em US$ 729,612 milhões. Nesse mesmo período, o Brasil importou dos angolanos US$ 311,718 milhões. Os principais produtos vendidos pelos brasileiros para o país africano foram açúcares de cana, beterraba e sacarose (US$ 69,814 milhões), pedaços de frango congelados (US$ 50,627 milhões), frango congelado (US$ 49,607 milhões), carnes de suíno congeladas (US$ 41,046 milhões) e farinha de milho (US$ 32,765 milhões).
Os produtos mais importados de Angola pelo Brasil, no mesmo período, foram óleos brutos de petróleo (US$ 195,031 milhões), outros propanos liquefeitos (US$ 83,883 milhões) e butanos liquefeitos (US$ 32,778 milhões).
Comércio Brasil – África do Sul - Em 2011, de janeiro a setembro, as exportações brasileiras para a África do Sul ficaram em US$ 1,232 bilhão. No mesmo período, o Brasil importou dos sul-africanos US$ 700,677 milhões. Os principais produtos exportados pelo Brasil foram frango congelado (US$ 144,345 milhões), veículos automóveis com motor de explosão (US$ 80,857 milhões), tratores rodoviários para semi-reboques (US$ 77,832 milhões), açúcares de cana, beterraba e sacarose (US$ 63,385 milhões) e minérios de ferro aglomerados e seus concentrados (US$ 36,271 milhões).
Os produtos mais comprados pelo Brasil da África do Sul foram carvão mineral do tipo hulha antracita não-aglomerada (US$ 85,918 milhões), motores de explosão para veículos (US$ 56,575 milhões), paládio em forma bruta ou em pó (US$ 52,985 milhões), chapas de ligas de alumínio (US$ 40,533 milhões) e herbicidas (US$ 34,997 milhões).
Fonte: www.netcomex.com.br
Data: 28/11/2011